domingo, 11 de abril de 2010

Os Anjos não matam...

O anjo me olhava com olhos tristes por de trás da franja, me olhava com seus claros olhos cor de mel... O anjo me abraçou forte, enfiando e retirando a velha faca enferrujada quantas vezes fossem necessárias para secar minhas veias. E ali fiquei... afogado num mar de dor... vendo em meus últimos suspiros seus olhos tristes se enchendo de alegria... anjos matam, matam como as palavras...

quinta-feira, 18 de março de 2010

A Esperança lhe falta...

Não havia como não perceber que
O bafo quente no vidro refletia sua tristeza...
Havia lágrimas a lhe cortar o rosto
Onde outrora o riso alegre esteve a perambular.
Perdido em um mar de pensamentos
Estava eu a pensar... que as sutilezas sempre vão me procurar
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Sem salvação, sem esperança

segunda-feira, 1 de março de 2010

O último dia de inverno

Era frio e nublado, o vento sussurrava... quase que num tom gritante, fazendo as árvores balançarem e rangerem, naquela escura estrada quase deserta. O que restava da humanidade em nossos corações foi-se acabando, até que esses se despedaçaram feito cristal.
E cada vez mais andávamos pra trás... porque a correnteza é que te carrega. A vida, nesse momento, nada mais era do que uma coleção de minutos sem fim. O tempo havia deixado de caminhar, enquanto a luz tocava sua face fria. Todas as cores foram apagando e as penas brancas flutuavam indecisas, prontas para chegar ao solo úmido. Seus cabelos sussurravam junto com o vento, conversando com ele, balançando com ele, livre como ele, e em pouco tempo tudo se havia acabado... O gosto doce do anis deixou seus lábios e assim terminou o último dia do inverno.

sábado, 2 de janeiro de 2010

Gotas de Insatisfação

Lentamente o céu nubla, o dia torna-se noite... E gota a gota a água começa a escorrer do céu, como as lágrimas que mancham a pele branca, em um ato recluso de solidão de desespero, dentro das paredes de seus próprios pensamentos desordenados. As gotas, que lavam a alma, criam um caminho escuro a seguir na minha mente, nem por isso é menos relaxante ouvi-las bater na minha janela ou molhar as plantas no jardim. Talvez senti-las batendo na nossa pele, acariciando nossos rostos, alisando nossos cabelos. Senti-las descendo lentamente pelas roupas molhadas até roçar nas costas geladas, sentir o arrepio subir a espinha... Deixar de sentir, tudo e nada. O que são as gotas se não reflexos do nosso estado de espírito, a chuva é como o choro da alma...

sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

Confissões de uma consciência alcoólatra

Mais uma noite chuvosa, mais notas que saem do Sax, cantando melancolicamente nos meus ouvidos. Ahh, a melancolia, mergulho nela, vejo nos olhares desinteressados das jovens, não, desinteressados não, desinteressantes sim, a juventude perdida. Tão rasos e transparentes quanto uma taça de champanhe.
Sento no sofá, com o copo de whisky, gelo até a metade, aproximadamente três pedras, e o som do jazz que inunda a sala, que se mescla á fumaça dos cigarros baratos. Eu paro e penso, penso que a cabeça pesa, penso que eu quero agir, penso que a vida passa sem que eu veja, penso eu coisas demais... Além do que é saudável. A cidade agora dorme, e eu não, eu me recordo dos bons momentos, aqueles que existiram apenas na minha mente.
A solidão sufoca, morro nela, a melancolia se alimenta dos momentos de fraqueza, e sendo franco... Até agora vivi como um fraco. As conquistas são como cinzas na chuva, desde que eu descobri que nada mais importa...

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

A tinta doi, arde... mas não cura

O sangue que antes corria em mim,
Que corria quente... Foi aos poucos esfriando,
Assim como a vontade
De continuar andando
E das decisões fiquei com a mais fácil...
A agulha fina não perdoa a pele macia
O sangue quente mancha a pele branca
A tinta negra circula pelos vasos dilatados
A dor não é nada, se não a materialização
De uma pequena parte do que eu penso
A língua coça, a pele vai suar
A tinta fria... Sinto seu gosto
Ele é amargo
E foi mais fácil,
Assim como ainda será mais doloroso
Corro para levantar vôo,
Ou tento, pelo menos.

terça-feira, 24 de novembro de 2009

Nubladas nuvens de tinta

Minha mente está confusa, como nunca esteve antes... O vazio em que as idéias tentam se estabelecer é cada vez maior, o desejo pela calmaria é quase absoluto... Assim como o silencio desse momento.
O momento em que, na profundidade abissal dos meus pensamentos, eu me perco entre alguns dilemas, que aqui, neste contexto, nada mais são do que palavras jogadas a esmo: o desabafo das palavras, um dilema quase ritualístico que me faz perder noites inteiras de sono... Aquelas poucas horas em que eu podia pensar sobre o nada...
E veja que ironia, é mais fácil decidir trocar o sangue por tinta do que pronunciar uma sentença em voz alta.